Guardachuvadelaura
agosto 14, 2026
LUIS MANUEL ALVARES GARCIA
Anos 70. Dois freis desembarcam em Lajeado. Navarro,
gordo e alegre e Luis Manoel, mais introspectivo, magrinho e também alegre. Chamavam atenção pela simplicidade.
Quando estudava no Ceat, os católicos saiam das salas
durante a aula de religião. Coube ao Luis Manuel evangelizar o pequeno grupo de
irrequietos alunos. Assim conheci aquele frei com quem manteria amizade por
toda minha vida. Adolescente, enfrentei os dogmas pedagógicos e provocava como
boa adolescente: “Prova que Deus existe!” “Jesus é gay?” Não lembro as
respostas, mas ele sorria e rebatia tudo com a maior paciência, como homem de
fé que era na Paróquia de Moinhos.
internet
Pouco tempo em Lajeado, na periferia. Navarro às voltas com os exilados
políticos - soube depois quando realizei entrevistas para meu livro “Engole esse
choro”.
Quando meu irmão morreu, recebi uma carta comovente, tentando explicar os caminhos que a vida percorre. Incluí numa crônica do livro "Crescer é morrer devagarzinho".
Bem que ele escreveu, em 1984: "Por que não te animas a escrever um livro? Já há um leitor firme: eu. Pelo menos não abandona a poesia, a criatividade, todo o rio que há em você de artista." E encerrava: "A gente se encontra no alto das estrelas."
Trocamos correspondência durante muitos anos, que guardo até hoje e alguns fragmentos inseri no livro “Engole...” Perdemos o contato. Mas eu telefonava para a última paróquia, conseguia os endereços. Com as redes sociais o descobri em Unhos, Portugal. Um vai-vem de e-mails.
Marcamos de nos ver em 2018, em Lisboa. Ele chegou de moto, sacola de couro atravessada ao peito, aos 73 anos. Um encontro de muitas risadas e brilho nos olhos. Luis Manuel gostava de viver, de contar causos, relembrar momentos em Lajeado. Perguntava de pessoas que conheceu aqui, mas eu nada sabia.
Em maio desse ano, por whatsaap contou que estava doente,
tratamento difícil. Mas feliz, junto à família, enviou fotos dos irmão, dos sobrinhos. Depois de um tempo de silêncio, não respondeu os whats, os emails, não obtive mais respostas...
“Combati o bom combate,
acabei a carreira,
guardei a fé.”
2 Timóteo 4:7
Faleceu aos 83 anos no dia 14 de junho.
Choro mais essa perda. Será que gente há de se encontrar no alto das estrelas?
agosto 11, 2026
THOREAU & SUAS CADEIRAS
No livro Walden, do escritor e filósofo Henry Thoreau, o conceito das “três cadeiras”:
Uma para a solidão, duas para a amizade e três para a
sociedade.
A pergunta que ecoa:
- De quanto espaço precisamos
para estar conosco,
para estar com quem confiamos
e para estar com o restante do mundo?
* Das redes sociais
MARIO QUINTANA
Por ocasião do lançamento do livro “A origem da patrulha Maria da Penha”, de Raquel Arruda Gomes, na Casa de Cultura Mario Quintana, enquanto aguardava na fila de autógrafos, vi as caricaturas do “poeta das coisas simples” que completou 120 anos do seu nascimento, por dois geniais ilustradores e cartunistas gaúchos:
Edgar Vasques, o pai do Rango e Renato Canini que repaginou o Zé Carioca da Disney.
DO MEU BLOQUINHO
A Natureza sempre com as melhores respostas…
Pode ser no grupo das distintas madames da classe alta ou
no grupo das assalariadas.
Pode ser no grupo de alunos das escolas particulares ou
públicas.
O podre contamina. O podre lidera. O podre é admirado
pelo seu lado mais sombrio.
Os pais se omitem, a escola se omite.
A fruta podre vira um monstro... Um jovem monstro que quando convidado para ir na tua casa, a destrói.
No futuro serão aqueles
E por falar em monstro: a construtora que cortou 6 ou 5 pereiras na calçada e que hoje estariam floridas, ao demolir um prediozinho velho e arrancar seu piso, deixou a terra viva para iniciar a construção de um prédio de vários andares.
A chuva torrencial que caiu nos últimos dias “descobriu” um caminho no terreno e desaguou na minha garagem e banheiro da área de churrasqueira, coisa que em 55 anos nunca aconteceu.
Registrei em fotos.
77ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE
A escritora, antropóloga e
educadora Heloisa Pires Lima é a patrona da 72ª Feira do Livro de Porto
Alegre, que acontece de 30 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega,
no Centro Histórico.
Heloisa nasceu em 1955, poucos dias depois da primeira edição da Feira do Livro gaúcha.
Com quase trinta obras publicadas, a nova patrona ganhou destaque nas escolas brasileiras com o livro Histórias de Preta, publicado em 1998 pela Companhia das Letrinhas.
A obra, que aborda a construção da identidade de uma menina negra, recebeu os prêmios José Cabassa e Adolfo Aizen e foi selecionada para o Brazilian Book Magazine, publicação divulgada na Bologna Book Fair.
Mais recentemente, Heloisa lançou "Livro tem língua?" pela Editora Passarinho, e "Penteado, o meu e o do lado" pela PeraBook.
“A literatura tem o poder de mostrar às infâncias que elas fazem parte da vida ao redor e que merecem ser contadas. Quando o leitor ou leitora negros encontram personagens, memórias e referências construtivos que dialogam com suas vivências, há um fortalecimento da autoestima e ampliação das possibilidades de imaginar o próprio futuro”, diz a escritora.
Fonte: https://literaturars.com.br/








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