NÃO LARGA A MARTA!
Conversas de consultório na varanda... Mulher é
bicho esquisito, todo mês sangra, diria Rita Lee para aquelas que já passaram
da fase protocolar da TPM, nasce a MPT, ou a Memória Perdida de Todas,
compartilhada entre risadas e “nem lembro”.
Mães, filhas, avós, professoras, políticas se reúnem, e
trocam a “persona” pela pessoa. Se despem, falam em terapia, filhos, profissão,
matrimônio, gozo e saúde. Em noite de início de primavera, um bebê vem ao mundo
na Holanda; a avó se emociona em Lajeado. Um acalanto.
Entre rizomas e deboches, entre Foucault e uma garrafa de
vinho, há muito mais da filosofia: há o cotidiano da amizade. Cultivado dia a
dia.
Marta é o fio condutor da noite. Ah, a Marta, essa
psicanalista segura as pontas das amigas.
O título dessa crônica inicia pelo conselho: “Não larga a
Marta!”.
Uma garantia para continuar o tratamento? Loucuragens se
cura pela conversa.
Mas o “tratamento” está ali entre elas, ajudando a
construir a cura.
Esquecerão os motivos do riso.
Lembrarão o sentimento
É inerente.
Coisas que o Claude não pode fazer.
Uma noite para perder o controle e manter a nossa amizade.
Deixar a brisa entrar e lembrar mansamente: o mais íntimo
é estar. Nada lubrifica mais a amizade do que compartilhar - nem Lubrisa.
Da noite nos despedimos, lembraremos que não lembramos.
E lembrar assim também é alma. É a insônia de Macabéa.