maio 27, 2026

OSCAR WILDE


 "A generosidade 
é a essência da amizade."

HÁ 48 ANOS...


1978

O casamento    

Saiu um milico e entrou outro para presidente do Brasil, no ano do meu casamento. Pouco importava quem era o rei da Pindorama e se ele usava farda verde-oliva ou pijama xadrez. No calor do verão, minha mãe e eu olhamos o calendário e marcamos a noite de 27 de maio.

Dava tempo para os trâmites, para falar com o padre e com o decorador de festas, contratar buffet, avisar os parentes. E, claro, costurar um vestido. Eles não acharam nada de anormal. Ou fingiram?  Se libertariam de uma filha que trazia problemas desde a infância, pior na adolescência. Talvez não fosse mais virgem? Talvez se drogasse com seus amigos cabeludos? Que casasse logo e o problema não seria mais deles. Logo, o salão do Clube Caixeiral foi alugado e os convites despachados.

(...)

Igreja lotada, padrinhos no altar, o pai ateu e orgulhoso conduzia a filha por um corredor florido. Tudo ao gosto da mãe e com vários amigos e parentes deles, alguns Vier e poucos amigos, nossos.

(...)

Passaram o meu sapato entre os convidados e com o dinheiro pagamos o táxi que nos levou até Gramado. Não tínhamos carro e Giba sequer carteira de motorista. 

Bavária, o nome do hotel. Deveria ter uns quatro anos desde a inauguração. Cheguei na recepção enrolada num cobertor, louca para me atirar num quarto com calefação e dormir.  Mas o pessoal da reserva havia trocado a data. E assim a primeira noite de lua de mel acabou num quartinho-despensa, sem sexo, mas abraçados embaixo de um edredom. Mau presságio?

Na manhã seguinte, Giba ganhou da dona Frida, um par de luvas do falecido marido, Ervino Fleck. Uma cerração forte como se um lençol branco estendido a nossa frente. Uma friaca desgraçada, maior ainda do que no sábado. Minha primeira vez em Gramado.

(...)

Mais dois dias na cidade e acabamos dentro de um ônibus para Campo Bom, via Taquara, chão-batido, poeira, mas animados. Giba tinha 24 anos e eu, recém feito 20.

Fragmentos do meu diário:

DE S L E M B R A N Ç A S  

“Passou muito rápido pro amanhã chegar.


HUCK BUNDÃO


"Não há estímulo para sair do Bolsa Família", falou o bilionário Luciano Huck em um evento fechado no Guarujá. Logo ele que se beneficiou de condições especiais de um órgão governamental para em 2013 comprar um jatinho da Embraer. 

Huck utilizou um financiamento de R$ 17,7 milhões do BNDES para adquirir o avião com juros subsidiados de 3% ao ano.

O Bolsa Família retirou 5,1 milhões de famílias da pobreza - só para constar.

Todos os anos a Globo realiza os Melhores do Ano. 

O Troféu Escroto já tem um forte concorrente.

OUTONO, SEU LINDO!


 Não existe estação mais poética que o outono...
Amo...
E bem pertinho da minha casa!

DIÓGENES


 

Pai do cinismo.

Gosto de assistir filmes com pitadas de humor sutil, filmes sobre relações familiares e suas dinâmicas de convivência, as invejas, os ciúmes... A tensão, a falta de assunto durante os encontros. O cinema  argentino e o espanhol são ótimos quando abordam esse tema.

O que não pode ser dito, compartilhado. As lembranças que não são as mesmas para os irmãos. O silêncio que se impõe como um abismo entre eles. A competição para ver quem recebe mais atenção dos pais. O desprezo entre irmãos. Um mais ganancioso, outro mais amargo, outro desiludido, os invejosos, os fúteis, incluo o gênero feminino também, claro. Gentes.

Nunca esqueço, quando minha mãe ainda estava bem, era espirituosa e dizia as coisas como se enfiasse uma lâmina fina e doce entre nossas conversas, fazia questão de afirmar que as relações entre os irmãos era das mais difíceis. Logo ela que só teve um e cuidou dele até morrer. Já o meu pai manteve distância dos dois irmãos. Creio que a vida impôs. Às vezes penso que é culpa dos genitores.

Mas voltando aos filmes, esses que traduzem a humanidade dos núcleos familiares hipócritas como dizia o filósofo Diógenes, do fundo do barril onde morava, me agradam. Filmes sobre amizades também. Queria indicar uns, mas não lembro os títulos. Desculpe!