Guardachuvadelaura
maio 13, 2026
SOLON SALDANHA
Há datas que permanecem no calendário não apenas pelo que
representam oficialmente, mas pelas perguntas que continuam fazendo ao
presente. O 13 de maio é uma delas.
Durante muito tempo, a assinatura da Lei Áurea foi apresentada como o grande gesto redentor da história brasileira, um ato de generosidade imperial que teria encerrado, quase por encanto, séculos de escravidão.
Nas escolas, aprendíamos a enxergar aquela cena como um ponto final luminoso. Mas bastava olhar um pouco além da moldura oficial para perceber que o país aboliu a escravidão sem abolir o abandono.
O dia 14 de maio de 1888 talvez seja mais revelador do que o próprio 13.
Foi quando milhares de homens e mulheres negros acordaram livres apenas no papel, sem terras, sem moradia, sem qualquer política pública que lhes permitisse reconstruir a vida.
O Estado brasileiro, tão eficiente em
proteger os interesses das elites agrárias, mostrou-se incapaz — ou
desinteressado — em oferecer condições mínimas de integração social aos
libertos. Enquanto isso, incentivava a imigração europeia com subsídios,
distribuição de terras e oportunidades negadas justamente a quem havia
sustentado a economia nacional durante mais de 300 anos.
É por isso que tantos brasileiros negros não celebrem o
13 de maio como uma data festiva.
Há muito tempo o
movimento negro prefere valorizar o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos
Palmares, símbolo de resistência e luta coletiva contra a escravidão.
Na íntegra: https://virtualidades.blog/2026/05/13/13-de-maio-o-dia-seguinte-ainda-nao-terminou/
maio 12, 2026
ENNIO, O MESTRE
Quando cursei a cadeira de Cinema, na Unisinos, o professor era um fissurado nos faroestes do diretor italiano Sergio Leone. Eu teria uns doze anos quando assisti "Era uma vez no Oeste", com Henry Fonda, Charles Bronson e Cláudia Cardinale. Não lembro do filme, mas da gaitinha de boca do Fonda, da música lindíssima, de chorar de uma cena da Cardinale. Agora, alguém falou no documentario "Ennio, il mestre". Acabei de ver. E me emocionei várias vezes. Lançado em maio de 2022, talvez Morricone não tenha visto porque faleceu dois meses depois. Traz ele escrevendo as composições, seus dilemas, suas emoções ao lembrar de cenas, os depoimentos de diretores, compositores, cantores.
Giba teria adorado assistir esse filme. E nós dois discutiríamos qual a trilha mais marcante, a que mais emocionou: A balada de Sacco e Vanzetti, com a a voz do Joan Baez? A Missão? Era uma vez na América? Por um punhado de dólares? Os intocaveis? Os oito odiados? Vi todos! Comprei os cds.
A gente desconhece o cinema italiano... Tem muita coisa boa. Agora vou procurar A batalha de Argel, Três homens e um conflito, The legend of 1900, Páginas da Revolução, A lenda do Pianista do mar, Os sicilianos, Cinzas no Paraiso, Lady Caliph... Todas com trilhas consagradas.
Morricone ganhou dois Oscar. Um pelo conjunto da obra e outro por Os oito odiados.
Mas a Academia de Hollywood é também uma bosta política e burra.
A quem eu indicaria assistir esse doc?
Não sei.
DO MEU BLOQUINHO
DIA DO BARBEIRO
Ontem, dia 11 de maio, dizem que o Dia do Barbeiro. Não sei. Não existe uma única data para o dia deles no Brasil. Algumas fontes indicam 11 de maio como o Dia Nacional do Barbeiro, enquanto outras apontam 3 de novembro, dia de São Martinho de Porres, padroeiro dos barbeiros. Vai saber! Eu procurei um e pedi para cortar um rabicho. Se eu fosse num salão, alem de não fazerem como peço, cobram bem. Por 30 reais, dei fim no rabicho.



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