O lendário Carlos Santana, autor de Samba pa ti, hoje aos
78 anos chocou os States quando se dirigiu diretamente ao presidente Trump, ambos
em um programa especial sobre imigração, na TV CNN.
O entrevistador Jake Tapper perguntou a Santana a sua
opinião sobre o plano de deportação em massa de Trump.
Santana baixou a cabeça e, em seguida,
a frase que arrepiou o estúdio:
"Está separando as famílias e chama isto de
política. Não é isso que deveríamos ser."
Trump remexeu-se na cadeira. A caneta de Tapper parou a
meio da página.
Dezessete longos segundos passaram em silêncio.
Carlos Santana continuou, a sua voz lenta e deliberada,
cada palavra ressoando como uma nota sustentada de guitarra.
"A música vem do espírito", disse. "E as pessoas que vocês reduzem a estatísticas são
as que colhem os alimentos que comemos, que constroem as casas em que vivemos,
que cuidam das nossas crianças e que servem as nossas comunidades. São parte
integrante da história americana, quer se queira quer não."
Trump tentou interrompê-lo.
Santana levantou a mão — não de forma agressiva, mas
serena.
"Por favor", disse ele, "deixem-me
terminar."
Um silêncio absoluto tomou conta da sala.
"A verdadeira liderança não se baseia no medo",
declarou Carlos Santana.
"Baseia-se na compaixão, na consciência e na
responsabilidade. E a crueldade nunca foi sinal de força."
A plateia levantou-se.
Trump levantou-se, retirou o microfone e saiu do palco.
Carlos Santana permaneceu sentado.
Virando-se para a câmara central, a sua voz suavizou, mas
ressoou com ainda mais profundidade.
"Se a América perdeu o seu rumo", declarou,
"não o voltará a encontrar assim, a rejeitar as pessoas." Ela irá
reencontrá-la ao recordar a promessa que um dia fez... a promessa de dignidade,
esperança e solidariedade, que não a têm mais.”
Seguiu-se um grande silêncio.
Depois, aplausos — longos, prolongados e impossíveis de
parar e ignorar.”
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Por Carlos Trindade.
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Em algum ano das nossas vidas, Giba e eu curtimos um show no
Gigantinho, em PoA...