A LINHA
Quando
compreendemos que poderia ser câncer,
deitei-me ao seu lado durante a noite,
a palma da mão repousada no sulco do seu peito,
a nervura de uma folha.
Não havia possibilidade
de fazer amor: no fundo do meu corpo, aquele
pequeno nódulo duro.
À meia-luz da minha meia-vida,
minha mão na bela fissura afiada do seu peito,
o vale da sombra da morte,
só existia o momento presente e, enquanto
você dormia no silêncio,
eu o observei como quem observa
um recém-nascido, consciente a cada instante
do milagre, da linha que fora cruzada
para fora da escuridão.
Sharon Olds,
tradução de Nelson Santander

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