fevereiro 06, 2026

LAJEADO: 135 ANOS

1966

De férias, perdi as comemorações do aniversário da cidade. 

Será que chamaram o padre? O pastor? A mãe de santo? A banda? O coral?  

Não li nada. Passou batido, mais uma vez. 

Quem faz niver nas ferias de verão sabe como é. Poucos lembram. 

Quando voltei corri pra fazer uma unha encravada, lixar o cascão e aquela conversa, biriri, bororó... 

- Eu guardo o caderninho do pai. Ele trabalhou no Parque de Máquinas no governo X"...  

Prendi a respiração. 

- Lembra o caso dos pneus, que não deu em nada?

 Sacudi a cabeça como a vaca do presépio. 

- Então, o pai tava lá... Sumiam muitas coisas. As peças eram vendidas e iam para os bolsos dos nomes que constam no caderninho. O pai foi CC testa-de-ferro. Quer pintar de que cor?

- Deixa sem esmalte. Tem fungo na unha.

- Quando o pai morreu, pergunta se algum deles foi ao velório? Se mandaram coroa? Essa corja tá lá dentro até hoje...

- Essa corja é que nem o fungo na minha unha. Nunca vai ter fim. É muito dinheiro fácil, à vista. Olha o prefeito de Garopaba.  Nunca tinha se metido em política. Jogava futebol com meu filho. A cidade cansada da corrupção viu nele um jovem Collor... Deu no que deu. Preso.

* Quanto não deve valer esse caderninho... pensei ao me despedir.


 

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial