LAJEADO: 135 ANOS
1966
De férias, perdi as comemorações do aniversário da cidade.Será que chamaram o padre? O pastor? A mãe de santo? A banda? O coral?
Não li nada. Passou batido, mais uma vez.
Quem faz niver nas ferias de verão sabe como é. Poucos lembram.
Quando voltei corri pra fazer uma unha encravada, lixar o cascão e aquela conversa, biriri, bororó...
- Eu guardo o caderninho do pai. Ele trabalhou no Parque de Máquinas no governo X"...
Prendi a respiração.
- Lembra o caso dos pneus, que não deu em nada?
Sacudi a cabeça como a vaca do presépio.
- Então, o pai tava lá... Sumiam muitas coisas. As peças eram vendidas e iam para os bolsos dos nomes que constam no caderninho. O pai foi CC testa-de-ferro. Quer pintar de que cor?
- Deixa sem esmalte. Tem fungo na unha.
- Quando o pai morreu, pergunta se algum deles foi ao velório? Se mandaram coroa? Essa corja tá lá dentro até hoje...
- Essa corja é que nem o fungo na minha unha. Nunca vai ter fim. É muito dinheiro fácil, à vista. Olha o prefeito de Garopaba. Nunca tinha se metido em política. Jogava futebol com meu filho. A cidade cansada da corrupção viu nele um jovem Collor... Deu no que deu. Preso.
* Quanto não deve valer esse caderninho... pensei ao me despedir.

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