DO MEU BLOQUINHO
Pimmm pimmm... Pimmm pimmm... Tum... Tum... Tum... Cada monitor com sua trilha sonora. "O tempo não passa, né?" Três vezes a mulher que acompanha um doente, diz. Ou pergunta? Faço de conta que não ouço todas as três vezes. Porque o tempo passa diferente para cada um. O meu passa muito rápido e sei desde o início que não teria volta. Alguém grita “Parada, parada, parada!” Os jalecos em correria. Dois minutos ... Outros tantos... Um silêncio. Até parece que os monitores em suspense. Agonia e o alívio. Aplausos. Um adolescente foi salvo com massagem cardíaca pela jovem médica. De vez em quando, um flash e tudo isso me vem a cabeça naqueles dias tristes de uti. A jovem médica estudou na escola particular. Cria daquela bolha. Como será que enfrentou a bolha da ufrgs e sua nota 5 no Mec? Com os colegas que entraram por cotas? Com os professores voltados para o social e humanitário? Lembro como tudo aconteceu: uma médica (residente? estagiária?) que não soube diferenciar no raio x o coração do pulmão. Não foi aluna, foi cliente. Nota 2. E a gente vai engolindo, engolindo até gerar a flor do câncer.

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