março 04, 2026

AUTORIA DESCONHECIDA


 

“A arte não é um passatempo.

É um sacerdócio.”

O INSTANTE DECISIVO

Há fotografias históricas – e anônimas - como a dos operários sentados numa viga, na construção Empire State Building. Ou o registro de Alfred Eisenstaedt  ao flagrar o beijo do marinheiro americano em uma mulher na Times Square, por ocasião da rendição do Japão na Segunda Guerra.  A fotógrafa Dorothea Lange registrou um ícone da Grande Depressão americana: a mãe imigrante. E a menina afegã de Steve McCurry? E a foto de Evandro Teixeira que registra o exato momento em que a polícia agride com porrete um manifestante contra a ditadura brasileira?

Na maioria das vezes a gente nem sabe tudo que está por trás da imagem. Acha lindo ou comovente. Trágico ou desesperador. Fotografias contam a história da humanidade.

Em 1948, ao nascer do sol, um grupo de muçulmanas orava no alto da colina de Srinagar, na Caxemira. Hari Parbat é também um local considerado sagrado por outras religiões.

O fotógrafo Henri Cartier-Bresson cobria o início da Guerra Indo-Paquistanesa, e ao se deparar com aquela imagem percebeu a riqueza histórica e o senso de humanismo ali contido: capturou o exato momento das mulheres em prece, tendo as montanhas do Himalaia ao fundo.

Eu assistia ao comovente filme iraniano “Harud”, dirigido por Aamir Bashi, quando um dos personagens presenteia outro com um quadroque traz essa fotografia. 

Eu já conhecia a foto. Sabia a autoria, mas não os detalhes que o wikipedia revelou.

Um mês depois dessa foto, Cartier-Bresson registraria o fim do jejum de seis dias de Mahatma Ghandi. Sendo que noventa minutos após esse encontro, o líder indiano acabaria assassinado.

"Srinagar, Kashmir" integra a coleção do Moma, em Nova York e do Instituto de Arte de Minneapolis.

 

LUC DESCHEEMAEKER


 

DO MEU BLOQUINHO

Três loucos no mundo com o dedo mortal da ganância prestes a explodir o planeta. Deus não existe, por mais que insistam na crença. Existe a Natureza. Gaia. A Família também não existe. Caim matou Abel e detonou com o sentido cristão que reverencia esse núcleo esquizofrênico. Lembre-se que Édipo matou o pai e Medéia matou os filhos por vingança. E tudo continua do mesmo jeito, taí os noticiários para confirmar. E Pátria? Apenas limites geográficos nos mapas, um hino bobo e a triste bandeira. Essa então não me diz nada, absolutamente, nada mesmo. Não necessariamente nessa ordem, os três pilares do fascismo. Asco disso tudo. Aí tu vê, aqui no quintal, um sujeito mentiroso, preso por corrupção. Não pensou nas filhas, pensou na conta bancária. Sabe o que nunca acaba, nem mesmo com a morte?  A desonra, a reputação, gritava meu pai, depois de uma sumanta de cinta ao descobrir que eu havia roubado um sutiã na loja Hüffner, quando nem peito tinha nos meus doze anos.

 

6 ou 9?


 

JUNTOS, NO OSCAR!

Que vínculo é esse o da amizade?

No sentido real da palavra, porque as cobras estão soltas e às vezes a gente, cegueta, não distingue entre outros animais, digamos, caseiros. Como o gato, o cachorro e até a tartaruga – a cobra se vale de tantos disfarces. 

Pensei nisso quando li que o ator Wagner Moura vai levar seu amigo de infância, e de vários filmes realizados, para assistir juntos a cerimônia do Oscar.

Eu me emocionei.

E entenderia melhor se Wagner fosse aquariano. Mas é do signo de Câncer. Justifica também.



 Amizade e Lealdade andam juntas. São filhas da mesma mãe: dona Confiança.

Que esses dois meninos, criados nos quintais de Salvador, urrem de alegria ao conquistarem o Oscar. E se não, já valeu mais essa emoção parceira.