O INSTANTE DECISIVO
Há fotografias históricas – e anônimas - como a dos operários
sentados numa viga, na construção Empire State Building. Ou o registro de Alfred
Eisenstaedt ao flagrar o beijo do marinheiro
americano em uma mulher na Times Square, por ocasião da rendição do Japão na
Segunda Guerra. A fotógrafa Dorothea
Lange registrou um ícone da Grande Depressão americana: a mãe imigrante. E a
menina afegã de Steve McCurry? E a foto de Evandro Teixeira que registra o
exato momento em que a polícia agride com porrete um manifestante contra a ditadura
brasileira?
Na maioria das vezes a gente nem sabe tudo que está por trás da imagem. Acha lindo ou comovente. Trágico ou desesperador. Fotografias contam a história da humanidade.
Em 1948, ao nascer do sol, um grupo de muçulmanas orava
no alto da colina de Srinagar, na Caxemira. Hari Parbat é também um local considerado
sagrado por outras religiões.
O fotógrafo Henri Cartier-Bresson cobria o início da
Guerra Indo-Paquistanesa, e ao se deparar com aquela imagem percebeu a riqueza histórica
e o senso de humanismo ali contido: capturou o exato momento
das mulheres em prece, tendo as montanhas do Himalaia ao fundo.
Eu assistia ao comovente filme iraniano “Harud”, dirigido por Aamir Bashi, quando um dos personagens presenteia outro com um quadroque traz essa fotografia.
Eu já conhecia a foto. Sabia a autoria, mas não os detalhes que o wikipedia revelou.
Um mês depois dessa foto, Cartier-Bresson registraria o fim do jejum de seis dias de Mahatma Ghandi. Sendo que noventa minutos após esse encontro, o líder indiano acabaria assassinado.
"Srinagar, Kashmir" integra a coleção do Moma, em Nova York e do Instituto de Arte de Minneapolis.


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