maio 12, 2026

DO MEU BLOQUINHO


Meu pai era um homem bonito. Aqui nessa foto, a formatura de advogado, acho que em Cruz Alta -  depois de quatro filhos no mundo. Sofremos com esse pai. Aprendi a não delatar. Ele deveria saber algo da ditadura, tinha o irmão e o cunhado na aeronautica e no exército. Mas nunca falou nada. Um dia precisou ir às pressas até Porto Alegre ajudar alguém. Conto no "Engole esse choro", mas não fui capaz de esclarecer porque soube "por cima" quando minha mãe deixou escapar, anos depois de sua morte. Aliás, hoje completa 26 anos sem ele. Estudou interno em Passo Fundo. Se formou em Contabilidade não sei onde. Trabalhou na Samrig, em Canoas. Até chegar em Lajeado, em 1960, para trabalhar no Moinho Pretto. Sofremos com esse pai. Apanhei muito. Meus irmãos eram mais comportados, mas guardam mágoas. Meu pai repetiu o que sofreu?  Foi professor no Castelinho. Uns diziam que aprenderam com ele. Outros, odiavam. Eu aprendi  sobre lealdade. Meu pai era generoso. Assim que melhorou a situação financeira me ajudou muito. Esses dias li uma frase do Kafka: A avareza é sem duvida um dos sinais mais confiáveis de infelicidade profunda. - em “Carta ao Pai”. Meu pai não era. Giba também também não. Os dois ajudaram muita gente. O mesmo não posso falar de outros. Ganância e ressentimento não me pertencem. Sofremos com esse pai. Mas aprendemos a não levar desaforo pra casa, a usar a faca na bota, se preciso. Faltou carinho? Faltou. Mas eram outros tempos, duros tempos.


 

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