julho 06, 2026

DO MEU BLOQUINHO

Um mar separa meu amigo de uma convivência maior. Uma relação que se iniciou aos treze anos. Continuou por cartas e cartões. Rio, São Paulo. Diminuíram, perdi o contato. Localizei pelas redes sociais. Depois, caiu fora. Não tinha estômago para tanta futilidade, creio. Seu último endereço, Unhos, em Portugal. Um homem vivido, inteligente, que sobreviveu às mudanças da existência. Tem muito o que contar. Gostaria tanto que escrevesse sobre tudo o que presenciou. Conseguimos marcar duas horas de encontro em Lisboa há 8 anos. Depois, um silêncio. Perdas de ambos lados. Quando busquei contato, não o localizei nem pelas redes. Mandei uma carta para seu último endereço. Foi encaminhada a Madrid. Voltamos a conversar por email, e agora pelo whatsapp. Está doente. Daquela enfermidade que a gente tem medo de nomear. Eu não sei o que dizer, não sei o que perguntar. Sei que és resiliente. Mas, a essência apartou, imposta pela distância.  E tem essa droga de realidade que contamina minhas raivas e infecta a criatividade. Não posso passar adiante em um momento de busca pela cura. Também eu com minhas dores, pus e bactérias. E, a cada dia 6 no calendário, sou lembrada que metada minha, partiu.

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