DO MEU BLOQUINHO
A luz do quarto era como um holofote a iluminar Elvira Vigna. Minhas mãos seguravam o livro emprestado, em ambos lados das capas. Senti coceira no dorso da mão direita. Olhei e enxerguei minha velhice. Mãos idosas. Enrugadas e com várias pintas. Algumas de mais tempo, a grande maioria, novas. No dia a dia eu nem havia percebido ao usar talher, escova de cabelo ou tesoura. Com o holofote no quarto, me assustei. Eram as mãos de minha vó? Não, as minhas. Ainda bem que tatuei meu signo no dedo, aquele que manda alguém tomar no cu. Mãos de velha, talvez engane, o passado transgressor. Falácia, eu sei, mas precisava desse lenitivo...

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