DO MEU BLOQUINHO
Escrever, ler, pesquisar... sempre um refúgio. Ou uma fuga? Esses dias li que para muitos escritores, o momento mais difícil, depois do livro publicado, são os lançamentos que exigem a presença do escritor. “É constrangedor ver as pessoas saírem de casa para comprar teu livro no dia do lançamento.” Me vi concordando... Em cidade pequena, os leitores vão porque conhecem o autor ou autora, porque são parentes ou amigas. Vão para te dar uma força... Talvez nunca leiam as páginas do nosso livro. Mal folheiam. Mas há os que se armam de lápis na mão para assinalar os erros. Acho bem bom - Malvina foi corrigido por mais de vinte olhos e assim mesmo, conto alguns erros. Sinal que não foi por I.A. - socorreu alguém. O livro finalizado é distribuído à mídia, com sorte ganha um rodapé, uma matéria - se o editor vai com tua cara. Que ninguém se sinta ofendido, mas O (A) autor não precisa de lançamentos como se fosse a bolachinha mais vedete do pacote. A gente se dedicou ao trabalho de criar e pesquisar. E o livro é o resultado desse trabalho. Comprem nas livrarias, retirem das bibliotecas. Lançamento dos meus livros é um sofrimento, angústia, palpitações funestas. Por que não vejo ninguém fazer fila pra cumprimentar o instalador do chuveiro, o cara que assentou o azulejo, aquele que plantou árvores? Para que então cumprimentar quem escreveu um livro? Pronto, registrado. “Deixe seu ego na porta”, diz a plaquinha na entrada de um estúdio de gravações. Dias atrás, questionaram se eu seria lembrada pelos meus livros. Pensei no livro do colombiano Héctor Abad Faciolince, da minha idade: “Somos o esquecimento que seremos.”

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