outubro 04, 2009

ROGER DU GARD


"O pensamento só começa com a dúvida."


TB ADORO VOAR

Ah, Clarice... Li tão pouco. Quando a galera chega no 3º ano colegial, a professora de literatura deveria empanturrar seus alunos de Clarice. Ela é pós-pós-contemporânea se é que sim.
Pode-se ler desfragmentada ou por inteira. A garotada deveria entrar em contato com as interrogações clariceanas...Talvez o vazio de suas vidas não se tornasse um abismo.
Por falar em abismo, estou chegando bem perto de um.
Deito na beirada e observo lá embaixo as profundezas. É tentador. Como resistir? E por que?

"Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das drogas mais poderosas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas,
porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
porque vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre..."

Clarice Lispector

IMÃ


Ontem assisti o Grupo Corpo.
Seres de músculos e asas. Leveza. Uma congruência entre trilha, luz, figurino e movimento. Uma combinação sofisticada e criativa. Senti como se vivesse numa cadeira de rodas: por que não faço nada mais do que o óbvio?

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Alongar o braço para colher jabuticabas.

outubro 02, 2009

RUY CÂMARA

“...porque o silêncio não é somente ausência de barulho no espaço, mas a expressão tácita de uma cumplicidade.”

EDU & CHICO

O amor me conheceu
Se esfregou na minha vida
E me deixou assim
Homens, eu nem fiz a soma
De quantos rolaram no meu camarim
Bocas chegavam a Roma passando por mim
Ela de braços abertos
Fazendo promessas
Meus deuses, enfim!
Eles gozando depressa
E cheirando a gim
Eles querendo na hora
Por dentro, por fora
Por cima e por trás
Juro por Deus, de pés juntos
Que nunca mais...


TDA & pequenos transtornos...

Em algum museu de Londres... by Salvador Dalí.


No consultório do médico, uma revista velha, sem capa.
Leio a reportagem... Foi preciso a ciência se valer de imagens de ressonância magnética para comprovar aquilo que muita gente já descobriu na pratica: chove idéias quando os devaneios se libertam da pressão, prazos, rotina, obrigações...



“Conclusão: distrair-se não é só coisa de gente preguiçosa ou lunática. Pode ser o caminho certo para resolver um problema.” – garantiu um especialista da Universidade Estadual de Campinas, Fernando Cendes.

Ou seja, para ser criativo é preciso parar com tudo, dar um tempo:
“Sem esse momento de dispersão, o cotidiano fica frio, concreto e racional demais. E a mente não dá conta. A consequencia pode ser a erupção de um transtorno como o pânico”, alerta o psicólogo especializado em neuroendocrinologia Esdras Vasconcellos, da USP.



Então... o meu sistema límbico, teoricamente responsável pelas minhas fantasias - da qual decorre a criatividade - não tem se alimentado de tempo suficiente para criar pequenas coisas notáveis. Às vezes fico com raiva porque nunca aprendi a crochetar...



Fora que na última veja, as amarelas entrevistam uma psiquiatra que durante infância e adolescência sofreu com o déficit de atenção. Mais isso...


Falei para o médico do mesmo problema, mas ele disse que já era tarde e me chamou de sequelada. E sequelada continuo...

O SILÊNCIO DOS POETAS

Photo by Manuel Navarro Focada


“Já reparaste que tens o mundo inteiro
dentro da tua cabeça
e esse mundo em brutal compressão dentro da tua cabeça
é o teu mundo
e já reparaste que eu tenho o mundo inteiro
dentro da minha cabeça
e esse mundo em brutal compressão dentro da minha cabeça
é o meu mundo
o qual neste momento não te está a entrar pelos olhos
mas através dos nomes
pois o que tu tens dentro da tua cabeça
e o que eu tenho dentro da minha cabeça
são os nomes do mundo em brutal compressão
como um filtro ou coador
de forma que nem és tu que conheces o mundo
nem sou eu que conheço o mundo
mas os nomes que tu conheces é que conhecem o mundo
e os nomes que eu conheço é que conhecem o mundo
o qual entra em ti e o qual entra em mim
através dos nomes que já tem...”

ALBERTO PIMENTA
1978