maio 12, 2026

ANÔNIMO


 

Nem todo mundo vai te entender – e ta tudo bem.

Sua paz vale mais do que a necessidade de explicação.

ENNIO, O MESTRE

Quando cursei a cadeira de Cinema, na Unisinos, o professor era um fissurado nos faroestes do diretor italiano Sergio Leone. Eu teria uns doze anos quando assisti "Era uma vez no Oeste", com Henry Fonda, Charles Bronson e Cláudia Cardinale. Não lembro do filme, mas da gaitinha de boca do Fonda, da música lindíssima, de chorar de uma cena da Cardinale.  Agora, alguém falou no documentario "Ennio, il mestre".  Acabei de ver. E me emocionei várias vezes. Lançado em maio de 2022, talvez Morricone não tenha visto porque faleceu dois meses depois. Traz  ele escrevendo as composições, seus dilemas, suas emoções ao lembrar de cenas, os depoimentos de diretores, compositores, cantores.

O doc é dirigido por Giuseppe Tornatore, o mesmo diretor de Cinema Paradiso, outra trilha deslumbrante do maestro. 

Giba teria adorado assistir esse filme. E nós dois discutiríamos qual a trilha mais marcante, a que mais emocionou: A balada de Sacco e Vanzetti, com a a voz do Joan Baez? A Missão? Era uma vez na América? Por um punhado de dólares? Os intocaveis? Os oito odiados? Vi todos! Comprei os cds.

 

A gente desconhece o cinema italiano... Tem muita coisa boa. Agora vou procurar A batalha de Argel, Três homens e um conflito, The legend of 1900, Páginas da Revolução, A lenda do Pianista do mar, Os sicilianos, Cinzas no Paraiso, Lady Caliph...  Todas com trilhas consagradas.

Morricone ganhou dois Oscar. Um pelo conjunto da obra e outro por Os oito odiados. 

Eu já daria para A Missão. 

Mas a Academia de Hollywood é também uma bosta política e burra.

A quem eu indicaria assistir esse doc?

Não sei.

 

DO MEU BLOQUINHO


Meu pai era um homem bonito. Aqui nessa foto, a formatura de advogado, acho que em Cruz Alta -  depois de quatro filhos no mundo. Sofremos com esse pai. Aprendi a não delatar. Ele deveria saber algo da ditadura, tinha o irmão e o cunhado na aeronautica e no exército. Mas nunca falou nada. Um dia precisou ir às pressas até Porto Alegre ajudar alguém. Conto no "Engole esse choro", mas não fui capaz de esclarecer porque soube "por cima" quando minha mãe deixou escapar, anos depois de sua morte. Aliás, hoje completa 26 anos sem ele. Estudou interno em Passo Fundo. Se formou em Contabilidade não sei onde. Trabalhou na Samrig, em Canoas. Até chegar em Lajeado, em 1960, para trabalhar no Moinho Pretto. Sofremos com esse pai. Apanhei muito. Meus irmãos eram mais comportados, mas guardam mágoas. Meu pai repetiu o que sofreu?  Foi professor no Castelinho. Uns diziam que aprenderam com ele. Outros, odiavam. Eu aprendi  sobre lealdade. Meu pai era generoso. Assim que melhorou a situação financeira me ajudou muito. Esses dias li uma frase do Kafka: A avareza é sem duvida um dos sinais mais confiáveis de infelicidade profunda. - em “Carta ao Pai”. Meu pai não era. Giba também também não. Os dois ajudaram muita gente. O mesmo não posso falar de outros. Ganância e ressentimento não me pertencem. Sofremos com esse pai. Mas aprendemos a não levar desaforo pra casa, a usar a faca na bota, se preciso. Faltou carinho? Faltou. Mas eram outros tempos, duros tempos.


 

LITERATURA ENSINA


 Lajeado nunca enxergou... Hoje quando criticam, com medo, as facçlões que existem na cidade, eu falo que tenho medo da facção imobiliária, da facção construtora, da facção investidora que está destruindo a cidade. Como dizia a Rita Lee: vão toma no cu!


GILMAR

A Ypê foi um dos patrocinadores da quebradeira no dia 8 de janeiro. 

Tudo tem volta...
 

DIA DO BARBEIRO


 Ontem, dia 11 de maio, dizem que o Dia do Barbeiro. Não sei. Não existe uma única data para o dia deles no Brasil. Algumas fontes indicam 11 de maio como o Dia Nacional do Barbeiro, enquanto outras apontam 3 de novembro, dia de São Martinho de Porres, padroeiro dos barbeiros. Vai saber! Eu procurei um e pedi para cortar um rabicho. Se eu fosse num salão, alem de não fazerem como peço, cobram bem. Por 30 reais, dei fim no rabicho.

maio 07, 2026

RITA LEE


“Você nem imagina a imensidão do quanto estou 

pouco me fudendo para o que dizem.

A vida é curta e eu, grossa.”


 

PODER & DESTRUIÇÃO

É a primeira coisa que esses desgraçados fazem quando vão construir um prédio:

 derrubar as arvores que estavam na calçada, nem no pátio, mas na calçada.  Eram umas oito Pereiras. Em tempo de colheita, a gente catava as frutas. 

Guardo um desprezo tão grande por esse tipo de gente que peço que morram sufocados, queimados no Inferno. É gente ruim. É gente ganaciosa. É gente que lava dinheiro na construção civil. 

E o que faz a Promotoria ante uma destrução dessas? Na destruição de um bairro? 

N A D A.  

Podem ter certeza de que há algo de muito podre entre os que aprov um projeto desses, de quem  investe na campanha de candidatos a vereadores para alteração no plano diretor.

VÃO TOMAR NO CU!


1956-2026


 

Nesse mês de maio, há 70 anos, a Livraria Jose Olympio lançava “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa. Li com dificuldades. Passou um bom tempo, reli. E foi com orgulho que lambi cada página... "Toda saudade é uma espécie de velhice..."  Quero comprar uma nova edição, mais bonita, pra melhor gastura...

E TU APOIA A DITADURA, NÉ, TROUXA?


 

MIAUUU


 Só gente que admiro: Meire Brod, editora da Libélula, o artista Alessandro Cenci e a profescritora Morgana Domênica Hattge.  Presença confirmada!

BRANDONI


“Não fales, a menos que podes melhorar o silêncio.” - diz o personagem vivido pelo ator argentino Luis Brandoni, no excelente filme “Minha obra prima”. A ironia argentina é muito inteligente e vivaz!

Há pouco tempo assisti na Netflix, o seu último filme, “Parque Lezama”. Adorei! Ri e me emocionei. Aborda a velhice com fantasia, ternura e rabugices.  Não muito depois do lançamento, dia 20 de abril, o ator Brandoni morre aos 86 anos, por complicações causadas por uma queda doméstica. Triste.

TERRA X PLÁSTICO


 Aqui  no Clube Tiro e Caça, as sucessivas diretorias fazem o que podem para terminar com o verde e a terra, para que ninguem embarre os tenis e os sapatinhos das crianças.  O Parque do Engenho também pretende terminar com  o caminho de terra.  Vivo numa cidade tão burra, tão atrasada e tão cafona.  e eles me perguntam por que não vou embora de uma vez por todas. Respondo: ja tô pagando o Huwe.

ALIVAT CONVIDA


 Eu vou. Porque tem gente lá dentro que acha que pode kahar nas redes sociais seus preconceitos raciais e de gênero e que tá tudo certo, sem se importar que carregam nas costas uma asa podre de urubu. Vou porque tenho amigos lá dentro que fazem o que podem para honrar uma academia que deveria dar exemplo de relevância cultural.

AUDIENCIA


 Ontem 1082 pessoas passaram por aqui. Eu me admiro porque nem divulgação faço. Então não sei se me controlam, se admiram, se é pura curiosidade política ou cultural...


 

maio 05, 2026

OCTAVIO PAZ


 

«A memória não é o que lembramos,

mas o que nos lembra.

A memória é um presente

que nunca acaba de acontecer».

TITULO DE ELEITOR NA MÃO

Minha neta. Falei: faz. Tu vai gostar de ser responsável por eleger um merda ou um líder de verdade. Tu vai poder escolher entre quem é à favor da ditadura, das armas, de dar golpe, de destruir o Congresso, de destruir a Amazonia, de entregar as terras raras aos americanos. Ou de votar num cara que é à favor daqueles que vivem com fome, sem teto decente, sem grana para remédios, sem saneamento básico. Não que eu acredite em milagres, mas acredito em sensibilidade e boa-vontade. Cada um vota em quem se identifica...
 

RITA LEETERNA









 

Participam 23 artistas gráficos de vários estados brasileiros que realizaram caricaturas de Rita Lee quando ela faleceu. Entrei em contato com eles que, generosamente, cederam seus trabalhos para que eu ampliasse em A4 e realizasse a mostra.

Agradeço à Casa de Cultura de Lajeado pela oportunidade, quando essa ausência completa três anos.

Dia 8 de maio, às 14h30, estarei na Radio Univates falando sobre Rita Lee e sobre essa exposição.

LIMA BARRETO


No dia 6 de junho de 1922, na Revista Careta:

"O Brasil não tem povo, tem público" 

 

DO MEU BLOQUINHO


 Hoje fui assistir a uma sessão da Câmara. Na vrdade, prestigiar minha amiga Rosane, que nos seus 6 minutos de fala lembrou as dificuldades dos que perderam tudo nas enchentes. Outros falaram também. Um até pediu dois minutos de silêncio em respeito. Não fizeram nem um... Rosane destacou o feminicidio no estado. Acho que entendi mal. Seriam 30 em 4 meses. Orfãos, mais de cem. Isso nunca vai parar. Não vai diminuir porque o homem é vil. Isso: vil.  Os vereadores só bocejaram.  Rosane falou sobre a poluição visual da cidade. Nomearam uma comissão. Já podiam tirar essas ferragens da Julio que usam durante um mês, no Natal. Não é possivel que não conseguem algo menos cafona do que aqueles arcos! O vereador Vavá explicitou o atendimento oncológico precário na cidade para quem é do SUS, imagino. Só quem perde alguém para um câncer sabe do que ele está falando. A máfia do câncer funciona para quem pode pagar planos de saúde. Não sou eu quem digo. Ouvi de um médico.  O vereador Eder criticou o emprestimo que a prefeita Gláucia pretende pedir. Pra quem será? Disse ele que era só demitir o cabideiro de empregos criado para as secretarias que a bufunfa sobra.  Enfim, uma vez por mês a gente tem que dar as caras na Câmara para ver como eles usufruem dos salários gordos que recebem de todos nós.


"Atrás de todo paladino da moral se esconde um canalha"

Nelson Rodrigues


20 ANOS


Em 3 de maio de 2006, a Editora Record lançava “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves. Um assombro da literatura: pesquisa e ficção monumental. Um romance histórico, dividido em 10 capítulos extensos. 

A saga de Kehinde, se pronuncia Quéindé, personagem principal, é narrada com muita descrição da vida africana e brasileira, dos costumes religiosos e sociais do início do século XIX até 1899. Se passa em África e na Bahia, Maranhão, Rio e São Paulo. 

São 952 páginas para contar do sincretismo religioso, costumes, das violências e da liberdade.

Minha amiga Margarita e eu anotamos e resumimos os dez capítulos para uma apresentação futura, em comemoração ao aniversário do livro:

O primeiro capítulo conta a infância da protagonista Kehinde, que narra sua história no antigo Reino do Daomé, hoje Benin, e sua captura na aldeia de Savalu, com sua irmã gêmea Taiwo. Eram ibêji: assim chamados os gêmeos entre os povos iorubás.

Antes, acontece o estupro e a morte de sua mãe e irmão por guerreiros de outro reino, presenciado por elas. A fuga das duas meninas e sua avó para uma cidade maior e mais interessante que Savalu: Uidá, próxima ao mar...

Como Raduan Nassar depois de "Lavoura arcaica", não precisa  publicar mais nada. É uma obra que conquistou lugar de honra entre as maiores da literatura brasileira.

TANTOS PARTIRAM ASSIM

Em 4 de maio de 2020, Flávio Migliaccio se suicidou no sítio na Serra do Sambê, na cidade de Rio Bonito - RJ. Junto ao corpo, havia um bilhete. Ele dizia, na íntegra:

“Me desculpe, mas não deu mais.

A velhice neste país é o caos como tudo aqui.

A humanidade não deu certo.

Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora 

num país como este 

e com esse tipo de gente que acabei encontrando. 

Cuidem das Crianças do Hoje" 

Flávio

* Eu entendo, o "Xerife". E penso que tudo só piora. Não vejo luz no fim do tunel, do poço, do cano. 

Só destruição, corrupção e estupidez ambiental.

 

SÓ SEI QUE JA FUI E VOLTEI

A Filosofia abre tantos portais... Um bom professor pode trazer aulas interessantes. Trazer o cinema, a poesia, as redes sociais e abrir outras formas de pensar. 
 

abril 27, 2026

ANÔNIMO


“A gente escreve para ficar sozinho.

Não para adoecer.

Ao mesmo tempo, a escrita é uma espera ativa.

É um feitiço à procura das palavras que a conjurem.”

LAERTE ADULTERADO


 

DO MEU BLOQUINHO


Você sabe como funciona, não sabe? Uma fruta podre entre todas as outras sadias... Uma por uma acaba apodrecendo. Assim é a tua língua. Teu rancor. O bulliyng contra uma colega.  Ninguém faz nada sozinho. Até Arsène Lupin tinha um cumparsa. Por falar em ladrão...  Esquece.  Ontem contaram que o Americano já tem a sua bocada, de Pó. Estranho que ninguém  do bairro tenha comentado no zap da Associação. É o medo. Todo mundo tem medo. Até a polícia tem medo. E assim a laranja podre vai contaminando o bairro, a cidade. E bem nas nossas fuças.

BOLSA FAMÍLIA?


 

DIA DAS MÃES


Dê "Malvina" à sua mãe no dia 10 de maio. 

Você encontra na Cometa, Vitrola (shopping) e na Planetária, lá perto do Castelinho - uma livraria que conseguiu se reerguer depois da enchente!  

Malvina foi a primeira professora estadual do Vale do Taquari. Formou-se em Porto Alegre, deu aulas na sua cidade, Encruzilhada do Sul. Por algum motivo obscuro, Julio de Castilhos a transferiu para São Gabriel do Lajeado, hoje, Cruzeiro do Sul.



Como deixou algumas páginas de um diário foi possível recontar essa história com um pouco de verdade e muita ficção. Seu neto, o jornalista Flávio Tavares, fez questão que eu mencionasse que sua avó nunca castigou os alunos e deu aulas fora de casa, realizou saraus e encenações teatrais.

Cruzeiro do Sul nunca a homenageou com nome de rua ou escola. Seu filho foi prefeito de Arroio do Meio e também não é lembrado com nenhuma distinção, mesmo sendo ele que inaugurou a ponte de ferro, um pouco antes de Malvina morrer.

Tenho certeza de que sua mãe vai gostar de ler "Malvina".



 

JUREMIR MACHADO DA SILVA

Angel Boligán
 

A política deveria ser a arte de evitar a guerra e governar por meios racionais. Quando, porém, os freios já não pesam tanto, tudo se torna possível. Donald Trump foi retirado às pressas da mesa de honra da festa com os correspondentes da Casa Branca. Era para ser o momento de mostrar boa imagem ao mundo. Foi só mais um episódio de tensão, medo e baixaria.

Trump espalha e atrai ódio. Psicopatas têm fixação nele. O presidente dos Estados Unidos vem reduzindo política e diplomacia a exercícios de chantagem, ameaças, insultos, ofensas e provocações cada vez mais caras.

(...)

Ainda que tenha sido um ato isolado de alguém com perturbações mentais, o episódio revela o estado de radicalização das coisas nos Estados Unidos. A cultura da violência oferece-se como um desaguadouro natural.

 

https://www.matinal.org/opiniao/tiros-na-festa-de-gala/

DIA SEM CARRO

Infelizmente, devido ao tempo ruim, o evento "Um dia sem Carro", no CTC,  foi transferido para outubro. E com isso as oficinas de teatro se distanciaram... Não sei se estarei viva em outubro. Não sei se estarei viajando para beeem longe. Não sei  do amanhã. Mas sei que um dia existiu um grupo chamado "Baratas de palco", que só me trouxe alegrias. E saudades.
 

PAPA FRANCISCO

Penso nas lagoinhas da vida...
 

abril 21, 2026

ALDA MERINI

Foto de Meire Brod, no Tom Maior
 

 

"Não preciso de dinheiro.

Eu preciso de sentimentos.

palavras, palavras escolhidas com cuidado,

Flores como pensamentos,

rosas como presentes,

sonhos pendurados nas árvores,

músicas que fazem as estátuas dançarem,

Estrelas sussurrando ao ouvido dos amantes

Preciso de poesia.

Essa magia que alivia o peso das palavras,

que desperta emoções e dá novas cores. "

PROS & MEMÓRIA


O escritor mineiro Silviano Santiago, bem vivo aos 89 anos, com prêmios literarios importantes no seu currículo: dois Jabutis, Oceano, Machado de Assis, em 2020, o Casa de las Americas e dois anos depois, o Prêmio Camões, disse: 

"A tradição da prosa é memorialística quando o escritor fala de si, da família, do meio letrado. Contudo, jamais assume sua condição sociológica burguesa.”

Nem ouso desdizer.  Meus dois romances aí se encaixam. Já leu?  Tem na Cometa, na Vitrola e na Planetária.  De Silviano Santiago li "Stella Manhattan" (1985) e gostei muito. Com cenas picantes. Leitura solicitada pelo escritor Assis Brasil, na Oficina de Criação Literária, na Puc. 

As vezes alguém me pergunta sobre o que estou escrevendo. Nada, respondo.  To  quase sempre drogada com ansiolíticos, com rivotril,  ritalina e outras bostas  mais naturais.  E mesmo que escrevesse, perdeu a graça publicar para não ser lida.  O que Silviano Santiago anda escrevendo?  Em 2021, a autobiografia, "Menino sem passado: (1936-1948)", pela Companhia das Letras.  Da vida íntima, o wikipedia não revela nada...

 

E VIVA O PAPA!