SOLON SALDANHA
Há datas que permanecem no calendário não apenas pelo que
representam oficialmente, mas pelas perguntas que continuam fazendo ao
presente. O 13 de maio é uma delas.
Durante muito tempo, a assinatura da Lei Áurea foi apresentada como o grande gesto redentor da história brasileira, um ato de generosidade imperial que teria encerrado, quase por encanto, séculos de escravidão.
Nas escolas, aprendíamos a enxergar aquela cena como um ponto final luminoso. Mas bastava olhar um pouco além da moldura oficial para perceber que o país aboliu a escravidão sem abolir o abandono.
O dia 14 de maio de 1888 talvez seja mais revelador do que o próprio 13.
Foi quando milhares de homens e mulheres negros acordaram livres apenas no papel, sem terras, sem moradia, sem qualquer política pública que lhes permitisse reconstruir a vida.
O Estado brasileiro, tão eficiente em
proteger os interesses das elites agrárias, mostrou-se incapaz — ou
desinteressado — em oferecer condições mínimas de integração social aos
libertos. Enquanto isso, incentivava a imigração europeia com subsídios,
distribuição de terras e oportunidades negadas justamente a quem havia
sustentado a economia nacional durante mais de 300 anos.
É por isso que tantos brasileiros negros não celebrem o
13 de maio como uma data festiva.
Há muito tempo o
movimento negro prefere valorizar o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos
Palmares, símbolo de resistência e luta coletiva contra a escravidão.
Na íntegra: https://virtualidades.blog/2026/05/13/13-de-maio-o-dia-seguinte-ainda-nao-terminou/


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