Distantes anos aqueles de teatro amador – 1991, 92, 93... no Rio Grande do Sul.
Lembro-me dos festivais, das etapas regionais e de quando
os melhores grupos se encontravam em Erechim para uma grande final.
Tempo de
debates acirrados com diretores e atores gaúchos como jurados. Profissionais
com mais experiência do que os amadores. Aprendemos a suportar críticas,
calados. Em paralelo, oficinas de interpretação ou expressão corporal. Todos
evoluíam.
Se não desanimavam, o pessoal voltava no ano seguinte
mais intrépido.
Alguns grupos de teatro amador eram excelentes.
Recordo o Theatrum do Tambo dirigido por Ângela Gonzaga, um grupo de Taquara. Do pessoal de Passo Fundo e de Santa Maria que mais tarde se
profissionalizaria. O grupo do professor Java, de Ijuí, um teatro escolar, com
qualidade filosófica. Lembro o grupo de Santa Vitória do Palmar com um belo e
triste espetáculo sobre a decadência do circo.
Foi no palco amador que assisti pela primeira vez uma
montagem de Brecht: “Aquele que diz sim, aquele que diz não.” Nem lembro o grupo ou a cidade, mas o
espetáculo me impressionou e calou fundo.
A nossa dúvida sempre pairava sobre o fio divisor entre
amador e profissional: por que o amador não podia ter qualidade? Alguns tinham.
Hoje penso que, talvez, o teatro amador se diferenciava
por unir integrantes sem preparo técnico: escolares e profissionais de outras
áreas que se reuniam uma vez por semana para ensaiar. Ninguém dependia do
teatro para sobreviver. Era apenas um canal de expressão. Ou de desafogo, por
que não? Ou por vaidade?
Os primeiros lugares nos festivais da FETARGS cabiam
àqueles cujos textos não vinham imbuídos de teor pedagógico. Teatro-escola era
uma coisa. Teatro amador, outra. E isso a gente sabia diferenciar.
Em Lajeado, o grupo Baratas de Palco batalhou durante um
bom tempo e participou de três festivais. E, através do Laboratório de Experimentações
Teatrais criado em 1991, levou grupos de adolescentes e infantis para festivais
em Guaíba e Machadinho. Na bagagem, sempre uma ou duas premiações para alívio nosso, que ensaiavamos todas as tardes de sabados.
Naquele mesmo ano o Baratas organizou a 1ª Mostra de
Teatro Amador do Vale do Taquari, com apoio dos vereadores e uns caraminguás
das empresas. Reformamos o palco, o
banheiro e o camarim do ginásio da Escola Fernandes Vieira. Vieram os
oficineiros da Terreira da Tribo, um grupo de dialeto italiano de Serafina
Correa com uma comédia non sense hilária, e outros.
No palco da mostra “nasceu” o grupo Elenku, de Arroio do
Meio, antes de Marcelo Aquino assumir a direção.
Importante assinalar que na época, muitos procuravam
qualificação através de oficinas com atores e diretores de Porto Alegre. Assim
Denize Barella, Paulo Guerra e Daniela Carmona vieram a Lajeado. Amir Haddad
foi a Encantado. Ângela Gonzaga em Arroio do Meio. O SESC de Lajeado trouxe a
Cia do Latão. Eu fui a São Paulo para uma oficina com Augusto Boal. Era o
amadorismo buscando um pouco mais de competência.
O que restou? Por que parou? – como diz o refrão do bis.
Não sei - bocejo. Não consigo reunir nem três pessoas para fazer uma esquete teatral.
Ninguém quer ensaiar. Querem aparecer... Ego, essa merda.