outubro 04, 2017

MIA COUTO

"A aldeia, quanto mais pequena, 
mais carece de um louco.
Como se por via desse louco
 se salvassem, os restantes, 
da loucura."

SOBRE CRIATURAS OTIMISTAS


A obra mais importante do filósofo Voltaire chama-se Cândido.
Não li nem vou ler. 
Mas, dei uma folheada num pocket - quem diria que os clássicos franceses  acabariam na boca dos caixas dos supermercados?

Pesquisei no wikipedia: Cândido é um livro de sátiras que traz o personagem doutor Pangloss, um sujeito, ridiculamente, otimista.

Ó... meu feissibuqui ta cheio de gente panglossiana!

Très obligée à tous!

"Nada tão belo, tão lesto, tão brilhante, tão bem ordenado como aqueles dois exércitos. As trombetas, os pífanos, os oboés, os tambores, os canhões, formavam uma harmonia como jamais a houve no inferno."

EXPLICAÇÃO AOS SÍNDICOS DA MORAL

Para o desavisado, de outras plagas, que furunga este blog... Marta Medeiros é cronista no jornal Zero Hora, em Porto Alegre:









O que não se omite, se esconde...
Começaram a dar visibilidade aos suicídio no estado, em Lajeado, onde vivo.
Ta na hora de dar visibilidade à pedofilia, que é crescente nessa cidade.

Pedófilo, imbecil, não ta em museu. Ta no teu lado disfarçado de tio, professor, advogado e até mesmo presidente de associação de bairro... Sai das redes sociais, do teu mundinho faz-de-conta e cheio de orações, e cai na real.

À PROPÓSITO...


maio 26, 2017

RALPH ELLISON


"A compreensão da arte depende de sua vontade,
 finalmente, para entender sua humanidade 
e seu conhecimento da vida humana."

ERA UMA VEZ...

 Escultura de Michel Hirt

... uma linda bailarina que dançava todas as noites no Teatro Faqueiro. Mas, por um guerreiro que cuidava da portaria do teatro, os mais lindos ciseaux.



Ao apresentar pela quinta vez o balé “Quebra-Nozes” de Tchaikovsky para o povo da Gaveta, o inesperado: as colheres, garfos e facas sentiram um forte cheiro de queimado e saíram em correria abandonando a plateia.


Assustada, a bailarina também quis fugir. Mas junto ao proscênio acabou barrada por uma invejosa concha de plástico e um horripilante garfo escargot, com seus dois dentes curtos e ameaçadores, surgindo pelo alçapão do palco.

 Poderia ser trágico se não fosse heroico: o porteiro-guerreiro arriscou a própria vida para salvar a bailarina e todas pequenas colherinhas que aguardavam nas coxias. Empunhou seu escudo e protegeu as jovens do fogo e dos maldosos concha e garfo. 

 Escultura de Michel Hirt


Felizmente, quase todos conseguiram escapar. Mas, quando os bombeiros chegaram para apagar o incêndio, óóó... O Teatro Faqueiro já tinha virado cinzas.



E a concha e o garfo? - perguntou João Francisco.
Derretidos para sempre.
.
.
.
.
Morreram, vó?
Balancei a cabeça, afirmativa. Ele pensou um instante:
Malvados, né? - sorriu.
É.
.
.
.
.
(Minha pedagogia é do tempo dos Irmão Grimm)

maio 23, 2017

KARL MARX

Luiz Bhering
“Os homens fazem a sua própria história, 
mas não a fazem segundo a sua livre vontade;
não a fazem sob circunstâncias de sua escolha
e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, 
legadas e transmitidas pelo passado. 
A tradição de todas as gerações mortas oprime 
como um pesadelo o cérebro dos vivos” 

A VIDA É UMA RODA GIGANTE

 “O passado é como o cemitério. 
As pessoas o frequentam pouco.”
- diz a personagem arquivista em algum filme que assisti no Netflix.

Revisitei o meu, em Cruz Alta, terra do senador Pinheiro Machado, do jornalista Julio de Castilhos, do escritor Érico Veríssimo, do escultor Saint Clair Cemin... Com tanta gente ilustre, Cruz Alta derruba seus casarões antigos para dar lugar a prédios feios. A cidade despreza seu patrimônio cultural, perde seus mistérios e perde a chance do turismo histórico.
Salvador de Oliveira Preto casou com Maria Luciana de Jesus, minha  hexavó: uma filha, Clara Maria de Oliveira.

Clara casou com João Crisóstomo de Morais, meus pentavós: 3 filhos, Ciríaco, Maria Luciana e Senhorinha.

Minha tetravó Senhorinha Leite de Moraes casou com João David Ramos: 1 filha, Laura, minha bisavó.

Por outro lado...

João Antonio de Oliveira era fazendeiro. Casou com Edwiges Antonia de Conceição, meus pentavós.  

Nasceu  João Antonio de Oliveira Filho que casou com Leonor de Oliveira meus tetravós. 

O casal adotou Sebastião de Oliveira, de cor bronzeada e cabelo afro, sempre bem lambido por gumex.  Na minha imaginação, Sebastião seria um filho de João Antonio de Oliveira Filho com alguma descendente de escrava, justificando os cachinhos  afro da família.

Meu bisavô Sebastião casa com Laura Ramos, de quem herdei o nome: 3 filhas  Normélia, Senhorinha, Leonor - e um filho, temporão, Democratino.

# Normélia casou com João Tatsch Peixoto, meus avós. Tiveram três filhos: Marion, Yvon e Marília.
Vila Marília

Yvon Oliveira Peixoto casa com Ada Moraes Merten, meus pais: 4 filhos.

Por outro lado...

Wilhem Henrich Pittan casa com Catharina Lahn, meus pentavós  e pais de Christian Adolph Pithan.

Christian casa com Johanna Catharina Margaretha Hockmüller, meus tetravós e pais de Otília Emilia Pithan.

Otília casa com João Carlos Tatsch, meus trisavós, pais de Pacífica.

Pacífica casa com Luis Felipe Peixoto, meus bisavós paternos. Tem um filho, João Tatsch Peixoto que casa com  # Normélia Ramos de Oliveira.

Adoro isso...  Furungar no passado e descobrir suas traições, suas sovinices, as neuroses e os preconceitos, seus maus-tratos, os abortos, os saraus e os piqueniques, as frustrações de ser bailarina, de ser pianista, de ser juiz. Às vezes, por cima, às vezes, por baixo... Descobrir as guerras e os idílicos momentos de paz que viveram. É a nossa micro-história com todos os seus fantasmas a nos assombrar dos confins desse cemitério cibernético, onde descobri tudo isso.


maio 21, 2017

Zé Ramalho - Vida de Gado

FÁBULA INDIANA

"Um homem terrivelmente feio atravessava o deserto a pé quando viu uma coisa que brilhava na areia. Era um pedaço de espelho. O homem se ajoelhou, pegou o espelho e olhou.
Nunca antes tinha visto um espelho:
“Que horror!” – exclamou. “Não espanta que o tenham jogado fora!”


O homem largou o espelho e continuou seu caminho.

ENTÃO, NÃO É AMIZADE...


março 29, 2017

WOLMIN DAHGROTA





“parece que assusto

talvez seja pela minha velocidade 
e multiplicidade

sei lá

procuro não pensar muito

a vida é meu laboratório.”



WOLMIN DAHGROTA DESACOMODA




As surpresas boas da vida também acontecem no coágulo feissibuquiano.
Um dia comprei um zine numa lojinha no Rio. Doze paginas, um livro. Gostei demais do que vi e li. 

 Humor cáustico, paulada no mingo, erotismo, enfim, caldo completo.  Não resisti, do coágulo me vi num oceano com tanta informação artística, superlativa, hiperativa.

Wolmin tem 35 anos, nasceu e se criou em Marechal Hermes, subúrbio do Rio. Durante um ano morou no mato, em Simão Pereira, no interior de Minas, onde tinha um atelier  cravado na mata, suspenso no ar:  “Desde que me entendo por gente, trabalho, estudo, observo, já trabalhei com tudo que você possa imaginar, tudo pela experiência e estudo social.”


Artista plástico, formado em design e desenho industrial, cria projetos de branding e de identidade visual, grafiteiro, vários projetos como o cozinha lúdica com plantas alimentícias não convencionais; convidado para pintar algumas paredes no Hotel da Loucura, localizado no Instituto Municipal Nise da Silveira, uma  unidade da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, exposição fotográfica no Catete (https://soninhodotrem.wordpress.com/), exposições Metamorfases Delirantes, no Vidigal e Escombros da Vida no Coletivo 48, em Ipanema; criador da marca carioca Grotesco, que assina produtos como: Revista Modinha, Shit Fest, Pessoas são escrotas, eteceteras...





  Criador da marca carioca Grotesco, que assina produtos como: Revista Modinha, Shit Fest, Pessoas são escrotas, eteceteras...



A arte de Wolmin Dahgrota é agressiva, transgressiva e lasciva. Ele diz que amor e ódio são sentimentos inseparáveis. Eu não tenho argumentos. Navegue: http://dahgrota.com.br/dahgrota/



Disse ele: “Sou tudo .”
Disse alguém: “A escola de arte é a vida que o cerca, sua motivação é a prosa visceral do ser humano animal em meio a uma sociedade decadente! Apaixonado pela vida, trabalha com linhas orgânicas a partir do erro, percebendo que na essência não existem ângulos nem retas, a construção de uma realidade é mera casualidade. Seu desenvolvimento artístico é reflexo de sua evolução pessoal, uma constante “metamorfose ambulante”! O resto fica por conta do “ponto de vista”.



Vale a pena bisbilhotar também por aqui: