ROSANE CARDOSO
Um Castelo que não é de cartas...
Os anos de 1980 vão longe. De lá para cá, houve mudanças
significativas na cidade de Lajeado. Muitos prédios de arquitetura inovadora,
lojas para todos os públicos, apuro gastronômico, propostas de cidade
inteligente e parques, muitos parques.
Os anos de 1980 me trazem boas lembranças. Uma das
melhores são os tempos do Castelinho. Sim, o mesmo Castelinho que hoje grita
por socorro, a escola que nunca precisou do nome completo para ser reconhecida,
a escola que recebeu crianças e jovens de todas as classes sociais.
Na época, não havia ensino médio em Estrela, minha cidade
natal. Então, lotávamos um ônibus todos os dias e vínhamos “estudar em
Lajeado”. Era quase como ir para a “cidade grande”. Ali, encontrei um grupo de
professoras e professores cujos nomes e rostos recordo perfeitamente. Lembro –
e muito bem – da Dona Jeni, sempre atenta às nossas escapadas, na sua ronda
diária pelos corredores.
As tais escapadas nada mais eram do que sentar na
escadaria da Igreja ou na Praça da Matriz. Mas, o melhor mesmo era quando havia
grana para comer um cachorro quente do Carmelito, luxo de guria pobre.
Essas lembranças não podem ser varridas pelas águas que passam. E é preciso lembrar o passado. Povo que esquece o que se foi, mal sabe onde está.
Infelizmente, parece que o Castelinho pode desaparecer e não somente pela água que o maltratou profundamente no último maio.
Lendo as notícias sobre a possibilidade de fechamento da escola, acredito que as minhas lágrimas se somam a de muitas e muitas pessoas.
O Castelinho não é um nome, não é uma escola. O Castelinho é uma história.
Portanto, não deveria haver dúvidas, não deveria haver
debate, não deveria haver sequer a simples cogitação de que esta instituição
possa desaparecer. O Castelo não é um lugar que deva estar cercado de lixo e de
abandono. Não é um jogo de dados para ser lançado em mesas de políticas do
esvaziamento.
Não sei se alguém consegue imaginar Lajeado sem o
Castelinho junto à Praça da Matriz.
Eu não consigo.
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