DO MEU BLOQUINHO
Quando a gente desembarca na estação chamada Vida, traz na bagagem os dias contados. Parece contraditório? Mas é a minha percepção da realidade. Creio q foi Frida Khalo quem melhor concluiu q todos levam dentro de si, a própria morte. Bem sabia das dores e sequelas do seu acidente. Morreu cedo, aos 47 anos. Já eu só fui entender quando precisei dar título ao meu livro de crônicas, Crescer é morrer devagarzinho. Sim, a cada amanhecer pode ser a nossa bomba H. Como aconteceu com a minha sogra no amanhecer do ano novo. Pode ser no anoitecer ou no café da manhã. Cortando a grama como foi o caso de um conhecido. No sofá, assistindo a um jogo de futebol, no caso de outro. Morte por correnteza da enchente. Mortes sem tempo para despedidas. A pior das mortes é aquela da agonia, sempre em alerta por antecipação. Ou uma morte trágica, dessas que arrastam a escuridão interna - e você que me lê, não se precipite na condenação - alguns acabam buscando a luz, o livramento, no ato suicida. É o vazio da alma, o spleen, tão conhecido de Baudelaire, ou o nosso banzo ancestral, indígena. Alguém me contou que duas mulheres e dois adolescentes ficaram 4 dias dentro de um barquinho, amarrado a um poste, em Cruzeiro do Sul, sem nada para comer, nessa que se considera A Grande Enchente, assim, maiusculo. Uma delas só havia levado os seus cigarros e o isqueiro. Foram salvas pelos bombeiros. E assim, os casos que vou ouvindo. De desespero. De morte. Os dias contados.
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