VENÂNCIO AIRES, HEIN?
No vídeo de mais de dois anos atrás, o candidato a vice
na chapa derrotada no segundo turno da eleição presidencial de 2022 aparece
dizendo assim, na frente do Alvorada, a uma comitiva de pedintes de
“intervenção militar” contra a eleição de Lula, porque teria havido fraude nas
urnas eletrônicas:
“Vocês não percam a fé. É só o que eu posso falar pra
vocês agora”.
Ainda no vídeo, que foi citado no inquérito do golpe,
uma mulher reclama com Braga Netto que
“a gente tá na chuva, tá no sol”, numa referência às concentrações golpistas
que aconteciam desde o início daquele novembro na frente de quartéis do Exército
em todo o país. O general tentou reconfortá-la nestes termos:
“A senhora fica… Tenta… Tem que dar um tempo, tá bom? Eu não posso… conversar…”.
O vídeo foi gravado em meio à trama golpista que se desenrolava entre o Alvorada e o apartamento de Braga Netto em Brasília, entre outros setores civis e militares urbanos da capital federal.
Naquele 18 de
novembro, a empresária Daniela Duarte Marasca, postou no Twitter, e depois
deletou, dizendo que tinha filmado Braga Netto “tranquilizando os corações dos
brasileiros”.
Daniela Marasca é da cidade gaúcha de Venâncio Aires, que fica a 130 quilômetros de Porto Alegre, a 1.500 quilômetros de Brasília.
Em
Venâncio Aires aconteceuum dos primeiros bloqueios de rodovia após o segundo
turno das eleições de 2022, ainda na noite do dia 30 de outubro, no quilômetro
80 da RS-287, próximo a um restaurante.
Em outro vídeo, anterior, gravado no dia 3 de novembro de
2022 e publicado no Instagram, Daniela Marasca dizia-se “à frente das
manifestações que estão ocorrendo na nossa cidade” e pedia mantimentos e
dinheiro para o bloqueio:
“Nós estamos localizados ali na RS-287, em frente ao Casa
Cheia. Estamos precisando de ajuda para dar apoio aos caminhoneiros que
quiserem parar. Comida e bebida não vão faltar pra eles”.
A postagem no Instagram também foi deletada.
Naquele 18 de novembro de 2022, Daniela Marasca publicou em suas redes sociais, e também apagou depois, uma foto em que ela aparece abraçada a Braga Netto na frente do Alvorada. Além de Daniela, seu marido, Maciel Marasca, também aparece na foto, vestido com a camisa da seleção da CBF e também abraçado ao general.
Daniela Marasca é dona de uma loja de “camisas artesanais que exaltam a elegância feminina”.
Uma das peças à venda na loja, por R$ 444, é a “Camisa Patriota Verde/Amarelo”, com botões em zamac hipoalergênicos, “free níquel”, banhados a ouro 18 quilates.
Na última sexta-feira, 13, véspera da prisão de Braga Netto, Daniela informou no Instagram que leiloou uma “Camisa Patriota Verde/Amarelo” autografada por Jair Bolsonaro e que os R$ 13.500 arrecadados serão doados para a Apae de Venâncio Aires.
Maciel Marasca é vice-presidente e diretor de operações da Tabacos Marasca, empresa de fumicultura baseada em Venâncio Aires que é uma das 100 maiores exportadoras do Rio Grande do Sul, fornecendo tabaco para mais de 40 clientes em cinco continentes.
A empresa é uma das 14 associadas do
Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, entidade que representa os
interesses do setor no Brasil.
Maciel foi candidato a prefeito de Venâncio Aires nas eleições de 2024, pelo PP de Arthur Lira, em coligação - “Endireita Venâncio” - com o PL de Jair Bolsonaro.
O empresário fumageiro não foi eleito. Como
Bolsonaro em 2022, Maciel ficou em segundo lugar.
Daniela Marasca também foi candidata. Ela concorreu a uma vaga na Câmara de Vereadores de Venâncio Aires com o nome de urna eletrônica Dani Marasca, com o número de urna eletrônica 11111.
Amealhou 756 votos nas urnas eletrônicas e tampouco foi eleita.
O vídeo na frente do Palácio da Alvorada citado no
inquérito do golpe foi gravado seis dias após Braga Netto entregar a kids
pretos uma sacola de vinho com dinheiro vivo para a execução da “Operação
Punhal Verde e Amarelo”, de assassinato do então presidente eleito, Lula, do
vice, Geraldo Alckmin, e do à época presidente da Justiça Eleitoral, Alexandre
de Moraes.
Foi o que disse, em delação, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Segundo Cid, e conforme
transcrição da PF, “o general Braga Netto afirmou à época que o dinheiro havia
sido obtido junto ao pessoal do agronegócio”.
Até agora, nenhum pessoal do agronegócio foi indiciado
por tentativa de golpe de Estado ou por incitação ao crime.
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