Λύπη
Daemon é a força inspiradora. Coisa de grego, uma divindade menor:
“Um ser espiritual pertencente a uma categoria intermediária
divino-humana.”
Minha curiosidade surgiu quando vi (na internet) essa escultura, com o
nome de Lipe (Λύπη), “o daemon da Tristeza”,
no túmulo de alguém, em um cemitério em Gênova.
Fui pesquisar, claro! Existem vários daemons: Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes
(Nesse período da vida, vivo o daemon da discórdia...)
Mas, quando retornei de um
velório esses dias, caraca, o daemon da
morte não saía da minha cabeça e acabou deitando comigo na cama. Então deixei
por escrito:
Quero meu velório nas câmaras municipais. Nada de
diersmann ou huwe.
Quero o meu caixão de pinho, bem barato, daqueles que tem nó na madeira como cantava João Nogueira:
Sou nó na
madeira, Lenha na fogueira que já vai pegar, Se é fogo que fica ninguém mais
apaga, É a paga da praga que eu vou te rogar, devagar...
Nada de deixarem meu caixão aberto com a minha cara murcha à vista.
Por favor, galhos de pitangueira, jabuticabeira, laranjeira...
Pelmordeus, não me cubram com flores! E não mandem coroas e toda essa cafonice
lúgubre.
Tragam mudas de árvores.
E não precisa ninguém me acompanhar até a cremação. Não quero show funesto.
Busquem minhas cinzas e adubem as árvores que imagino sejam plantadas em algum lugar, de preferência num parque, numa praça ao som de Rita Lee.
Obrigada. Só daí consegui dormir.
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