dezembro 16, 2024

Λύπη

Daemon é a força inspiradora. Coisa de grego, uma divindade menor: 

“Um ser espiritual pertencente a uma categoria intermediária divino-humana.”

Minha curiosidade surgiu quando vi (na internet) essa escultura, com o nome de Lipe (Λύπη),  “o daemon da Tristeza”, no túmulo de alguém, em um cemitério em Gênova.

Fui pesquisar, claro! Existem vários daemons: Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes

(Nesse período da vida, vivo o daemon da discórdia...)

Mas, quando retornei de um  velório esses dias, caraca, o daemon da morte não saía da minha cabeça e acabou deitando comigo na cama. Então deixei por escrito:

Quero meu velório nas câmaras municipais. Nada de diersmann ou  huwe.

Quero o meu caixão de pinho, bem barato, daqueles que tem nó na madeira como cantava João Nogueira: 

Sou nó na madeira, Lenha na fogueira que já vai pegar, Se é fogo que fica ninguém mais apaga, É a paga da praga que eu vou te rogar, devagar...

Nada de deixarem meu caixão aberto com a minha cara murcha à vista. 

Por favor, galhos de pitangueira, jabuticabeira, laranjeira... Pelmordeus, não me cubram com flores! E não mandem coroas e toda essa cafonice lúgubre.  

Tragam mudas de árvores.

E não precisa ninguém me acompanhar até a cremação. Não quero show funesto. 

Busquem minhas cinzas e adubem as árvores que imagino sejam plantadas em algum lugar, de preferência num parque, numa praça ao som de Rita Lee. 

Obrigada.  Só daí consegui dormir.

 

 

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