DO MEU BLOQUINHO
Quarta-feira de Novembro e os museus de arte em Porto Alegre fechados. A Biblioteca Pública, tão lindamente restaurada, sem climatização - as funcionárias com ventiladores no rosto. Passo mal. Abafado é pouco. Mas o silêncio é uma benção. Sigo até a Casa de Cultura Mario Quintana também sem muito pra mostrar a não ser uma ou outra obra nos halls de ligação da casa e uma mostra no 5º. Fora, admiro a rua do grafite. Um catador de latinhas também. “Bacana, né?” Ele concorda com a cabeça e toma seu rumo. Na Praça da Alfândega, resíduos da Feira do Livro. Um velho limpa com seu lenço o banco, antes de sentar. Um engraxate aguarda clientes que parecem só usar tênis ou sandália. Alguns mendigos dormem nos bancos. Uma mulher no celular descuida da menininha que brinca sozinha pelos caminhos da praça enquanto predadores a observam. Uma farda camuflada fuma um cigarro e fala ao celular com uma risada grotesca que dá um arrepio. Nos bares e restaurantes, pratos oleosos atraem os trabalhadores. Escolho um açaí. Passa do meio-dia, Forno Alegre mostra suas garras incandescentes. Procuro o frescor do Cine Bancários e assisto “Retrato de um certo oriente”. Tão sensível e tão atual: uma fuga do Líbano em guerra, em 1949.
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