dezembro 08, 2025

DO MEU BLOQUINHO


 Minha vó Florinda pariu Daniel que morreu aos 8 meses de disenteria. Pensando que o melhor era dar um laxante, Vô Henrique  “receitou”... Será que a minha vó conseguiu perdoar o marido? Será que meu vô morreu pensando em Daniel?  Ambos enterrados lado a lado, na localidade chamada Sítio, interior de Vila Tereza, hoje Vera Cruz.  As sepulturas eram cuidadas por Juraci, filha do irmão do meu vô, Rudi Merten. Mas se a Juraci já morreu, quem cuida? Depois de Daniel vieram o Liberato e a mãe, pelas mãos da parteira Zulmira. A mãe nasceu em 1934 e viveu até aos 5 anos no Sítio, quando se mudaram para Vila Tereza. Sempre conta que foi uma infância alegre, mesmo internada no colégio das freiras em Santa Cruz.  Minha vó Florinda foi enterrada em Lajeado. Morreu de câncer no reto, aos 72 anos.  Acompanhei a impaciência e as rusgas de meus avós na velhice. A morte os separou, fisicamente. Se fosse por ela, teria se separado bem antes. Minha mãe tem 91 anos. Até 2023 estava bem, dirigia o próprio carro, interagia com todos. Agora, quando estamos juntas, um silêncio angustiante. Ela diz como consigo jogar canastra tão bem e de outras coisas não recordo? Pois é... - respondo. Assisti um filme, e a citação de um verso do poeta e filósofo alemão Novalis:  "Estou sempre indo para casa. Sempre indo para casa do meu pai." Essa casa é embaixo da terra? Ou é no céu?

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