dezembro 06, 2025

DO MEU BLOQUINHO

Eu pensava que a única certeza absoluta era a morte. Para alguns, ela sinaliza. Outros, não. Um acidente fatal, por exemplo. Quem imagina que ao ligar o carro e entrar na BR 386 vai colidir com um caminhão? Ou que ao pedalar por uma estrada de chão, uma D20 vai te arrastar até você virar uma pasta de ossos e sangue? Você tosse há dois meses. Vai a médicos diferentes. Ninguém pede um exame de Raio-X , o que dirá uma tomografia? É preciso cair  no despenhadeiro para receber o diagnóstico de um câncer no pulmão estágio IV? Em cinco meses, a morte.  Passa um mês, dois, dia dos pais, finados e o calendário crava a ausência de seis meses. Tanta gente querendo se matar. Tanta gente que merece morrer. Tanta gente inútil... Tanta gente ambiciosa, fraudulenta, corrupta, tanto estuprador, pedófilo, cheirador, bêbado, ganancioso... Tanta gente vazia. E a gente continua vivendo entre todos e todas. Nada que o Menelat 30gr não segure.  Mas, às vezes, nem isso. E  agora você também desaba, mas de saudade física, do sorriso bom, das palavras que te acalmavam quando querias pular na jugular do teu semelhante. Seis meses de uma casa mais silenciosa, de guitarras escondidas, de não ter com quem discutir o final dos filmes ou comentar o último livro. Para Liev Tolstói, a única certeza absoluta que o homem tem é que a vida não tem sentido. Não tem mesmo, coração.


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