DO MEU BLOQUINHO
Eu pensava que a única certeza absoluta era a morte. Para
alguns, ela sinaliza. Outros, não. Um acidente fatal, por exemplo. Quem imagina
que ao ligar o carro e entrar na BR 386 vai colidir com um caminhão? Ou que ao
pedalar por uma estrada de chão, uma D20 vai te arrastar até você virar uma
pasta de ossos e sangue? Você tosse há dois meses. Vai a médicos diferentes.
Ninguém pede um exame de Raio-X , o que dirá uma tomografia? É preciso cair no
despenhadeiro para receber o diagnóstico de um câncer no pulmão estágio IV? Em
cinco meses, a morte. Passa um mês,
dois, dia dos pais, finados e o calendário crava a ausência de seis meses.
Tanta gente querendo se matar. Tanta gente que merece morrer. Tanta gente inútil...
Tanta gente ambiciosa, fraudulenta, corrupta, tanto estuprador, pedófilo,
cheirador, bêbado, ganancioso... Tanta gente vazia. E a gente continua vivendo
entre todos e todas. Nada que o Menelat 30gr não segure. Mas, às vezes, nem isso. E agora você também desaba, mas de saudade
física, do sorriso bom, das palavras que te acalmavam quando querias pular na
jugular do teu semelhante. Seis meses de uma casa mais silenciosa, de guitarras
escondidas, de não ter com quem discutir o final dos filmes ou comentar o
último livro. Para Liev Tolstói, a única certeza absoluta que o homem tem é que
a vida não tem sentido. Não tem mesmo, coração.

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