junho 02, 2010

FUN FUN EM MONTEVIDEO

Numa noite de primavera, em 1992, o ator italiano Gian Maria Volonté sentou num canto do Fun Fun, se jogou numa cadeira para trás e deixando seu olhar vagar acima da fumaça dos cigarros, por entre as fotografias em preto e branco na parede do bar, disse:



"Este é um lugar onde vale a pena morrer de madrugada."



Era um pensamento gentil e de poética trágica expressada por um homem cansado.


Volonté poderia ter dito em qualquer lugar do mundo, mas disse no Fun Fun, este bar à média luz montevideano, uma mistura de pub de Glasgow com um museu da vida, que desde o dia 12 de dezembro de 1895 permanece fiel as mudanças do destino, ou seja, do Mercado Central para a rua Cidadela.

Seu fundador, Augusto Lopez, foi um apaixonado por tangos e criador de bebidas famosas, como a Uvita ou a secretíssima Pegulo, hoje não mais servida, e Miguelito, “um trago corto, dulce y com soda” considerado “muy apropiado para ñinos acompañados de sus padres”.



Miguel Angel Nieto numa jam session noite de 27 de maio de 2010



No Fun Fun, em 1933, Carlos Gardel cantou à capela e encantado deixou no bar seu sorriso e louvor as bebidas indeléveis de Augusto Lopez.

E qualquer um pode ainda vê-lo na parede do bar, em preto e branco.




Entre os visitantes lendários e freqüentes do Fun Fun já cantaram Pedro Figari, Julio Herrera y Reissig, Florencio Sanchez, Ringo Bonavena, Fito Paez e Joaquin Sabina.

* Minha livre tradução de um excerto do livro “Boliches Montevideanos – Bares y Cafés en la memória de la ciudad” – de Mario Delgado Aparaín, Leo Barizzoni e Carlos Contrera.




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