diario da lavadeira
tenho tanta preguiça nesse corpo. tanta.
preguiça e tédio.
ontem dei uma banda por aí e foi aquele constrangimento: falo com as pessoas, mas nem desconfio quem sejam. e elas insistem em me chamar pelo nome. e eu fico paralisada cavoucando na memória, pistas. nada. volto para casa com o propósito de não mais sair do meu refúgio. preciso andar com um cartão no pescoço: “desmemoriada”.
as pessoas me desculpariam, quem sabe até se sensibilizassem: coitada, deu no que deu.
eles me cobram almoço. faço uma sopa. outro dia abri uma lata de atum e de seleta. as pessoas só pensam em comida, medeus!
terceira maquinada. haja omo. no varal dipinduro as roupas e vejo que consegui manchar outra camiseta. uma coisa puxa outra e lembro do escândalo da prefeita: roupa suja nas escutas do promotor. ali caiu a máscara da mulher. qualquer psicólogo diria o mesmo. já não era a mãe, a prefeita, a ex-professora. era a política ardilosa, usando o poder para suas tramóias indecentes. dela e dos aliados. como será que se branqueia toalha de banho? se deixo de molho na q-boa, amarela. falar em amarelar, o escândalo da universidade passou batido com o caso das escutas. ninguém é bobo de mexer naquele vespeiro poderoso. mas sempre que vejo obras por aí penso que alguém ta ganhando seus 20%. também se não fosse vantajoso cedo largariam a teta. comandar é inebriante. as criaturas devem se olhar no espelho e sorrir de satisfação: hoje mais fortes e mais ricas. medeus...
acabo de ler a biografia da leila diniz. se não fosse ela a gente continuaria tapada, amordaçada e achando que foder com marido é sagrado. putz, onde será que escondi meus chocolates de páscoa?
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