MEMÓRIAS DE UM VERÃO
Dias desses assisti um filme de direção sensível, minimalista. Talvez não tivesse a força que tem se não a atuação contida e discreta de Glenn Close: Memórias de um verão. No início você espera que algo aconteça. Mas não. É uma vida comum, uma relação delicada entre avó, neta e seu pai recolhido no luto. E como vamos sobrevivendo, como vamos nos permitindo cada um viver o seu luto, com a ausência de alguém querido não mais entre a gente. E está. A dor de Sophia. A dor do pai, um rasgo que precisa ser costurado, uma ferida a ser curada com a reaproximação. Só o tempo para buscar a aceitação. É um filme descritivo e cuidadoso. Há camadas a descobrir nessas relações de reconciliações com a dor da perda. Uns vão achar vagaroso. Uns vão dormir. Uns vão se emocionar. E uns vão amar a natureza e o lugar deslumbrante. Nos créditos, baseado em fatos reais, a história da escritora finlandesa Tove Jansson. Filmes como esse são necessários para desacelerar as tensões impostas por um mundo falido, à beira de uma terceira guerra mundial.
Uma curiosidade: Glenn Close já foi indicada 8 vezes ao Oscar. Nunca ganhou. E tanta atriz ruim e nova já faturou. Tenho ranço de Hollywood... Aguardo a estreia do musical Sunset Boulevardt, quando Glenn vive Norma Desmond, estrela do cinema mudo.

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