BILHETE DA DONA CHININHA
Cumpadre, esse é o bilhete de número 13 que te mando. E penso em encerrar por aqui. Desgostosa porque vi o quanto de dinheiro escorregou para os bolsos dos zéleitores nessa última semana. Em uma vila aqui perto, o Fabrício – lembra dele? – tinha mais de 60% dos votos garantidos, aí a situação veiu e despejou os cobres entre as criaturas. Só uma família grande ganhou uns 30 mil. Eu nem consigo acreditar! O purgatório deve estar silencioso, porque todos desgranidos estão soltos por aqui. E na nossa vila não foi diferente. Os cupinchas distribuíram dinheiro até na facção. Agora me diz por que a polícia não vê isso? Sim, sabemos todos. Aii... Ando cansada de viver, cumpadre. A Veridiana foi embora com um taxista de Estrela. Na bodega do Astor, sempre os mesmos desocupados a falar mal do povo e esse povo continua a cortar as arvores da calçada e do quintal. Gente burra que não aguento mais. Até o Cirilo partiu. Foi contratado pra motorista em Arroio do Meio. E eu sem ninguém pra me ajudar abandonei a horta porque os milho não vingaram. O açude e o poço tão secos. Vendi a porca e a minha gaita e agora só a aposentadoria. Que Deus se lembre de mim e venha me buscar sem mais delonga. Como diz o ditado o que está feito, não está por fazer e tanto que penso muito no salmo 23:4... Um abraço na comadre e fica bem com Nossa Senhora e com toda tua família.
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