agosto 24, 2024

A RESSACRALIZAÇÃO DA NATUREZA

Toda estrutura de concreto esconde uma tristeza profunda,

que somos treinados a ignorar.

As paredes verticais à nossa volta, cinzentas e sufocantes,

as calçadas sujas, cobertas pelos detritos da cidade,

os cheiros e barulhos,

o céu bloqueado pelos prédios,

a natureza entijolada e sufocada,

as pessoas fluindo pelas ruas com olhares vazios.

(...)


As cidades ditas belas são as que cultivam espaços verdes variados,

as que deixam a natureza penetrar aqui e ali,

de avenidas largas repletas de árvores,

as orlas perfiladas de palmeiras,

os parques verdejantes com os bem-te-vis e os sabiás.


 E são nos parques e nas praias que as pessoas congregam, ao

longo dos rios que cortam as cidades que se preocupam em mantê-los

limpos, em fontes e chafarizes iluminados.

 

 

Não iremos nem precisamos, claro, abandonar as cidades.

Mas podemos nos comprometer em recalibrar nossa vida,

buscar ambientes onde a natureza nos encanta,

abrir espaço para mais verde e azul nas cidades,

as cores das florestas e do céu, que falam com o nosso passado coletivo,

que nos conectam com as nossas raízes distantes.


* Marcelo Gleiser em O DESPERTAR DO UNIVERSO CONSCIENTE: um manifesto

para o futuro da humanidade.

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