abril 04, 2026

LUÍS AUGUSTO FISCHER


 "Começando pelo menos importante: só tenho alinhamento automático com o Inter. 

Ele joga, eu vejo, ouço, me irrito, prometo nunca mais, desligo o rádio e a tevê, mas na próxima rodada lá estarei eu de novo, cumprindo o desígnio do torcedor, que é o alinhamento automático. Que de vez em quando se compensa com as vitórias, naturalmente."

 

"Fora o Inter, não tenho essa reação com nenhuma outra instância da vida pública, família fora disso, claro.

Pulando para o último degrau: estando em território estadunidense, Flávio Bolsonaro deu declaração clara e límpida prometendo que, caso seja eleito, se alinhará automaticamente com o governo trompista, que este ano apenas chegará ao meio de seu mandato. Em sua cabeça e em seu coração, isso envolve também entregar as jazidas de terras raras do território brasileiro para a exploração de empresas orientadas pelos interesses daquele país. "

*O dramaturgo irlandês George Bernard Shaw (1856-1950) disse que “os Estados Unidos era o único país que passou da barbárie à decadência, sem passar nenhuma vez pela civilização.”

 * Faz sentido, né? 

 (...)

"Eu tenho alinhamento automático com o presidente Lula? 

Não tenho." 

"Tendo a aplaudir grande parte de suas ações, mas não é sempre. 

Ele defender o Maduro até o fim, por exemplo, não tem cabimento. 

Mas ele sentar com o Trump, cruzar as pernas e levar aquele lero de ótimo sindicalista que se sente representante e honra essa condição, falando como gente, me dá gosto. 

No fim das contas, meu problema filosófico com o alinhamento automático, mais do que uma questão de solidariedade social e desejo de justiça para com os mais fracos, é uma questão de prezar a autonomia. Para decidir, para pensar em alternativas, para fugir ao ramerrão de qualquer cartilha. Ter agência, como se diz no jargão acadêmico de hoje em dia." 

 Revista Parêntese

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