LUÍS AUGUSTO FISCHER
R E B E L D I A
"Dífícil gente se conformar que a rebeldia tenha sido apropriada pela direita. Mas foi o que a história nos reservou.
Quem está do lado de cá –
o campo progressista, a favor dos direitos humanos, da igualdade entre todos,
da ecologia, da saúde, da ciência, do esclarecimento, do debate informado, em
suma, que preserva a cabeça entre as orelhas – está na defensiva.
Está na defensiva porque estão sendo atacadas exatamente as conquistas desse teor, obtidas nas décadas que vêm dos ruidosos anos 1960 até há pouco, digamos até o atentado às Torres Gêmeas, na capital do século XX, Nova York, ou os atentados ao semanário Charlie, em Paris, a capital do século XIX."
"Este momento chegou no Brasil no impeachment da Dilma
Rousseff, naquele espetáculo grotesco em que o então deputado e futuro
presidente JB celebrou no microfone, para o mundo ouvir, a memória do único
torturador reconhecido pela Justiça brasileira como tal.
Faz, assim, uma década que vivemos, os que estamos do lado de cá, acossados pelo avanço de figuras delirantes, como o flamante represidente dos Estados Unidos, essa figura abominável que esta semana sugeriu que os palestinos de Gaza saíssem dali, pura e simplesmente, daquela região em que estão há dezenas de séculos, para dar lugar a uma praia movimentada pelo turismo à moda trumpista.
Uma década de ataques ao que para nós parecia um patamar irrenunciável de civilidade.""Esta semana foi medida a temperatura junto ao chão do Parque da Harmonia. Viu? 61 graus centígrados. Porque meteram um piso sobre o parque, porque derrubaram centenas de árvores, porque estão se lixando para preceitos elementares da vida pública saudável. E têm a concessão por 35 anos.
E a gente tem que espernear para tentar retomar a
sanidade e o bom senso públicos porque um sujeito forjado do lado de cá,
Sebastião Mello, aderiu à direita violenta, negacionista e imbecilizante. Foi
ele que armou essa concessão. Foi a omissão dele que autorizou a direita da
Câmara de Porto Alegre a promulgar, também nesta semana, aquela lei que nasceu
com o tortíssimo nome de Escola sem Partido.
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