BILHETE DA DONA CHININHA
Compadre, saúde! A comadre e as crianças?
Óia ontem fui pra
Muçum via Costão Colinas Roca Sales passei pelo Cristo e me vi na Princesa das
Pontes. Fui com o Cirilo no 147 pedindo reparo. Deus que me perdoe compadre. Primeiro
um ó do fundo dalma depois os olhos aguaram mesmo. Tristeza de deus. A gente vê
pela boca dos conhecidos que a Natureza vingou tudo da lambança dos governos e
dos ricos que tocam fabrica e que levantam as caixas de sapatos uma em cima da
outra. E os compadres que plantam milho até a beira do rio? Até parece que eles tem raiva de arvore. Pra eles é tudo lenha e carvão jesus. Se lembra
do matinho do finado Luderites? Do ladinho do cemiterio? Passaram a motosserra
no ano passado. Nem cemitério tem mais. As covas abertas e os ossos fugindo.
Cirilo não pode nem ver aquilo. Por falar nisso a construtora da ponte de ferro
vai derrubar o quintal do finado Giovanella. Um pecado. Vou terminar porque a
Veridiana tá aqui na cerca me chamando pra umas cuias. Mas ó em Muçum encontrei o
Carlinhos um rico dum menino. Tava plantando uma arvore por dia desde a
enchente de setembro. Agora só chora. Perdeu tudo. Faz uma noticia no teu
jornal de internete. Fica bem com Nossa Senhora e tua família. E ve se me aparece um dia, tá?
2 Comentários:
Sempre cus óio vendo o que os otro num vê. Parabéns Laura!
Que texto tão bom, vida real!
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