janeiro 02, 2017

DO MEU BLOQUINHO



Na beira da praia, areia. Na areia, o povo disputando espaço. Uns amarelos, outros roxos.Negros e brancos veem a pele avermelhar.  O povo se entupindo de gordura, de álcool, de açúcar, de cigarro e de muito gererê. O povo na areia cercado de bitucas, tampinhas de ceva, de cocô dos cachorros e das crianças. O suor do povo, o catarro do povo, o mijo do povo, os fios dos cabelos do povo, o dna de cada um na areia e nas ondas. O povo lotou a beira do mar de agua verde e  fria, lotou com sua voz berrante, suas palavras vazias, os aparelhos de som e selfies narcisas, idiomas cantantes. O fedor do queijo coalho, do milho azedo, do camarão frito. A barriga e o cu do povo na areia da praia. O povo chapado, encaracolado. O povo polui. O povo fala alto. O povo escuta tun-tuns e sertanejo.  A Ferrugem das hienas, dos porcos, das baleias e antas nunca foi tão feia. A Ferrugem virou Cidreira.

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